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O mito dos 10% de uso da capacidade cerebral |
| Muitos acham - e os meios de comunicação respondem pela divulgação dessa crença - que só utilizamos 10% dos recursos de nosso cérebro. Há anos que os cientistas tentam mudar esta concepção, que carece de qualquer evidência científica. De fato, é mesmo difícil dizer o que significa utilizar apenas 10% de nossa capacidade cerebral. Pode significar que poderíamos cortar 90% do cérebro (dado que o restante seria de pouca utilidade) ou que as pessoas utilizariam uma dentre dez células nervosas. Como se conclui, a afirmação não passa de um mito. É difícil identificarmos sua origem com segurança, mas é possível |
| que decorra do trabalho que Karl Lashley conduziu nos anos 20 e 30 do século passado, quando trabalhava na remoção de grandes áreas do córtex cerebral de ratos e descobriu que, ainda assim, eles podiam desempenhar tarefas específicas. Mas se um simples dano a uma pequena parte do cérebro pode acarretar efeitos devastadores, conclui-se que o trabalho de Lashley foi mal-entendido pelo grande público. | |
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Capitalismo: modelo de desenvolvimento social? |
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Por Luiz Fernando Mello Raposo
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25 de maio de 2007 |
| Primeiro, é importante conceituar o que entendemos por Capitalismo. Como assinalamos em outros artigos, publicados neste mesmo Portal (1) , consideramos Capitalismo como uma etapa evolutiva da cultura ocidental, compreendida como o resultado de um pragmatismo de raizes aristotélicas, associado a uma visão de mundo judaico-cristã. Reduzi-lo à dimensão |
| econômica implicaria distorcer um fenômeno social complexo. | Todavia, com fundamento em um esquema interpretativo (2) e em conceitos emprestados à antropologia estrutural, abstrairemos a parte (o econômico) do todo (o social), para compreender a esfera da economia como modelo embutido no modelo social capitalista, para, depois, avaliá-lo como paradigma de solução para o desenvolvimento de qualquer sociedade que aspire evoluir e progredir. |
| Modelo e supra-estrutura social | Segundo Lévi-Strauss, as “... relações sociais são a matéria-prima empregada para a construção de modelos que tornam manifesta a própria estrutura social.” (3) Modelo seria, então, a representação de fenômenos sociais e mentais de que se serviria o antropólogo para desvelar a estrutura e compreender o real implícito, subjacente ao modelo. | Nas sociedades mais complexas, a diversidade e a dinâmica dificultam a análise estrutural por conterem modelos plenos de racionalismo. Mas é razoável inferirmos que a estrutura social dos povos primitivos corresponda à infra-estrutura das sociedades contemporâneas e que a supra-estrutura reúna modelos conforme a sua complexidade. Tais modelos expressariam a compreensão coletiva da subjetividade dos fenômenos sociais (modelo cultural), o conhecimento da realidade objetiva (modelo econômico), e o sentido da pulsão social (modelo político). | Se, como sugere o etnólogo Franz Boas (4) , o sujeito da cultura / infra-estrutura social é o inconsciente coletivo, logo será ele o arquiteto da supra-estrutura social. Este papel será exercido de modo ostensivo, como nos tabus, mitos e signos no modelo cultural, ou de forma difusa, considerando-se a experiência social abstraída aos modelos econômico (e que se reflete nos objetos da atenção, do interesse, e da experimentação) e político (que se revela no conteúdo das atividades que predispõem atitudes, crenças, e aspirações). | |
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Última Atualização ( 28 de setembro de 2007 )
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